Estado da nação 2008
As conversas que tenho tido na últimas 2 semanas sobre a situação de Portugal têm sido dominadas pelas duas entrevistas do antigo Ministro das Finanças Medina Carreira. São quase 20 minutos de puro reality check.
Em quase todos os pontos abordados fico com uma sensação de estarmos, como país, a viver um filme de ficção onde sabemos que nada é verdade mas estamos satisfeitos com o facto de parecer real.
Aqui ficam as duas partes de uma das entrevistas:
Parte 2:
Concordo totalmente com a critica feita à televisão como meio de comunicação irresponsável e cooperativo com a situação actual. Não serão os únicos culpados (somos todos) mas têm uma dimensão e um alcance que exige uma muito maior responsabilidade.
Como sociedade só conseguiremos (sobre)viver se a regra (e não a excepção) for que cada um faça o seu papel. Para que isso aconteça é preciso que desde muito cedo possamos ter exemplos a seguir. Se a quem cabe esse papel não o executa o que estaremos a construir para o futuro?
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5 Responses to “Estado da nação 2008”
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Pois, que Portugal está cada vez mais no buraco já todos sabemos. Mas será que haverá vontade a médio prazo de mudar as atitudes de todo um povo?
Também sou apreciador da denúncia em tom cáustico que o Prof. Medina Carreira vai encetando nas suas entrevistas, artigos e debates. Não tenho dúvidas que apresenta quase sempre argumentos plausíveis… aliás, vale-se da estatística de forma a fundamentar ou sustentar as suas opinões.
Não lhe encontramos o pseudo-intelectualismo de alguns analistas nem as pretensões carreiristas de muitos políticos da nossa praça. Alguma crítica é bruta e rude, mas não duvido que para acordar possamos precisar de um “murro no estômago”. Atravessamos um período de grande depressão: por um lado, temos os destinos do pais entregues a uma ou duas gerações de políticos pós-25 de Abril sem credibilidade, sem visão estratégica, revelando muitas vezes alguma incompetência técnica e, sobretudo, propensão para o clientelismo e defesa de lobbies; não existem condições para realizar pactos de regime em relação a matérias fundamentais como a justiça, educação, saúde, etc…; um povo propenso ao contentamento do fado e vendido a hábitos de consumo que não pode sustentar…
É muito dificil não ser fatalista ou pessimista.
Propaganda? Oh homem ele ate era do PS. Neste país ninguem está habituado a verdades, seja à direita seja à esquerda. E quando alguem vem dizer que a alguem é serio, fica tudo muito escandalizado.
André, sabes que eu sou um tipo pouco atento, arrisco mesmo um bocado distraído, mas quando o senhor diz “os governos que tivémos nos últimos 30 anos sem apoio maioritário de um só partido… duraram em média 15 meses…” não é mais ou menos o mesmo que dizer “o Benfica e o Sporting têm sido sistematicamente campeões nacionais de futebol nos últimos 20 anos, excluindo os (apenas) 15 campeonatos que o FC Porto ganhou”?!
É que se pegarmos nos últimos 23 anos, basicamente estaríamos a falar do governo de Cavaco Silva, António Guterres, Durão Barroso, PSL e José Sócrates e isto dava uma média de mais de 4 anos e meio por governo. Claro que esta coisa dos números manipulam-se para se dizer o que pretende.
Quanto a não se fazer nada: Reforma da justiça, educação, saúde… lá está, sou eu que sou um pouco distraído, mas diz que se fez alguma coisa nestas áreas, não?
Pode-se gostar ou não, mas sinceramente, parece-me que do ponto de vista reformista, este governo fez mais atacar o status quo e alguns lobbies do que qualquer outro (incluíndo o de Cavaco Silva que teve 10 anos de governo, 8 dos quais em maioria absoluta).
A já agora, para dar uma picada final no teu post (sabes que eu me divirto com estas provocações), quando dizes “Se a quem cabe esse papel não o executa o que estaremos a construir para o futuro?”, por acaso estás a excluir das pessoas a que “cabe esse papel”?!
Lindo.
Obrigado pela partilha.